Tchekhov e A Gaivota nas garras da decadência

por Homero Nunes
por Rodrigo Morais
Tchekhov e A Gaivota, por Inca Pan, 2007
A estreia de A Gaivota, primeira das quatro grandes peças escritas por Anton Tchekhov, ocorrida em São Petersburgo na noite de 17 de outubro de 1896, foi um completo fracasso. A plateia não só vaiou como zombou dos atores em cena. No dia seguinte, todos os jornais da antiga capital russa ridicularizaram o autor, publicando charges maldosas como essa (abaixo), intitulada “A gaivota nas garras da decadência”. Uma das causas que explicariam semelhante malogro tem a ver com uma prática comum na época: dedicar a primeira apresentação de uma peça em benefício de um ator famoso. Naquele fatídico dia, a homenageada seria a atriz cômica Levkêieva, que entraria em cena logo após o término de A Gaivota. Com efeito, a assistência, formada em sua maioria por admiradores de Levkêieva, estava ansiosa para rir de suas personagens burlescas. Deu no que deu. A obra em questão só sairia do limbo dois anos depois, quando uma nova montagem levada a cabo por Konstantin Stanislavski, o lendário fundador do Teatro de Arte de Moscou, obteve um estrondoso sucesso. A partir de então, Tchekhov tornar-se-ia um dos “papas” do drama moderno, ao lado de Henrik Ibsen e August Strindberg. Em que pese tratar-se claramente de um drama, A Gaivota foi subintitulada pelo autor como sendo uma “comédia em quatro atos”. Nada mais irônico, como bem demonstra o diálogo de abertura do primeiro ato:
Miedviediênko: Por que a senhorita anda sempre de preto?

Macha: Estou de luto pela minha vida. Sou infeliz.


 A Gaivota nas garras da decadência
 Anton Tchekhov (1860 – 1904) na leitura d’A Gaivota para os atores do Teatro de Arte de Moscou, em 1898.

Coluna: Teatro



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