Viva! O Rijksmuseum está aberto novamente!

por Homero Nunes

RIJKSMUSEUM

Reinauguração do Rijksmuseum, 13/04/13 – Foto por Peter Dejong, Associated Press
Um prédio católico numa cidade de maioria protestante. Duas torres imponentes que fazem lembrar as igrejas católicas, destoando da paisagem de torres solitárias, no estilo protestante. Na Holanda, sabe-se logo a vertente ideológica da igreja ao olhar para as torres. Em Amsterdam, a ironia do arquiteto colocou no prédio mais importante da cidade – o Rijksmuseum – as características do gótico-romântico, católico, para lamento eterno dos protestantes mais emperdenidos. Aliás, o mesmo arquiteto, Pierre Cuypers, fez isso nos dois prédios mais importantes da cidade: além do museu, a Centraalstation, a estação central. Muitos ainda hoje o amaldiçoam por isso, por amarem a cidade, por amarem os prédios de duas torres a despeito de suas crenças. Mas se a estação, profana que é pelos movimentos dos trens, parece a todos um prédio qualquer, belo e interessante, grande, importante, mas mais um dentre tantos, o prédio do Rijksmuseum carrega a aura do sagrado, mesmo em crenças destoantes, pelo tesouro que abriga: arte e história.


Vermelho de tijolos à vista, com detalhes em dourado, o prédio do museu ocupa a posição principal na praça dos museus, a Museumplein. Paragem obrigatória para todos que visitam Amsterdam, referência para todos que lá moram, o Rijksmuseum é o museu mais importante da Holanda, um dos 10 mais importantes do mundo. Rivalizando com o Louvre(magno!), o Prado, o Hermitage e poucos mais, o “raiquismiuseum” tem uma das coleções mais invejáveis de arte e história que um museu aspira abrigar. Coleção essa que privilegia a arte holandesa e flamenga, obviamente, mas que também conta com raridades de todas as partes, inclusive algumas peças feitas no Brasil no tempo quando Pernambuco era domínio de Maurício de Nassau e que Olinda era a nova Holanda. Suas joias vão de Rembrandt a Frans Hals e Vermeer, com destaque para a “Ronda Noturna” de Rembrandt – com seus três metros e meio de altura e mais de quatro de largura, de 1642 – e “A Leiteira” (ou Moça com Jarro de Leite, de 1658-60), obra prima iluminada pelo gênio de Vermeer.

Após 10 anos de reformas, o Rijksmuseum abriu as portas das galerias neste 13 de abril de 2013, em comemorações e fogos que pararam Amsterdam e que despertaram vontade de viajar nos entusiastas da cidade e da arte. Na verdade o museu não estava completamente fechado, pois mantinha algumas galerias abertas enquanto reformava outras, mas agora, após a reforma e restauração, está completo para amplo deleite. Com profunda inveja de quem já poderá visitá-lo, esta é a indicação de um museu espetacular para os nossos privilegiados leitores: isso compensa.

A fachada da museumplein e o famoso letreiro “I amsterdam” – Foto por Michael Kooren/Reuters


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