Tea, cookies and Ales: a escola inglesa

por Homero Nunes

por Luiz Gustavo Moura

“Eu não posso oferecer nada mais que 
sangue, labuta, suor e cerveja.”
Winston Churchill

Clara, escura, forte, fraca, gelada, amarga, doce… cada pessoa tem sua preferência no que diz respeito a cerveja e cada povo tem sua própria forma de encarar a bebida. O que poucas pessoas sabem é que os estilos de cerveja são característicos principalmente de três escolas cervejeiras: Alemanha, Grã-Bretanha e Bélgica. Mais recentemente podemos incluir também uma quarta, a escola Americana. Não necessariamente os estilos de cervejas são produzidos com exclusividade por determinada escola, mas os estilos costumam ser regionais.
“Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”
Platão
A escola Inglesa, ou Britânica, é caracterizada por cervejas mais lupuladas (amargas) e secas. São chamadas Ale, cervejas de alta fermentação, em torno de 18ºC com duração entre 4 e 5 dias, formando uma camada espessa de fermento na superfície do líquido, com outra parte sedimentando no fundo do tanque. Possuem um sabor mais pesado e complexo que as cervejas típicas alemãs, as lagers, e são bem mais amargas, mesmo as opções mais populares. Uma característica interessante é que as cervejas da escola Inglesa tendem a ser menos carbonatadas, com destaque para os estilos mais comuns por lá: Pale Ale, Porter, Stout, Barleywine, Bitter, Brown Ale. A tradição inglesa é beber cerveja em pubs e na pressão ou on tap. As marcas mais comuns encontradas aqui no Brasil são: Guinness, Murphys, Fuller’s e Newcastle, que estão disponíveis em praticamente qualquer supermercado das grandes redes.

Uma curiosidade sobre o estilo India Pale Ale, ou IPA. Por volta de 1750 os ingleses estavam colonizando a Índia, mas não abriam mão de beber suas boas típicas cervejas. Porém havia um problema: como enviar cervejas para as tropas e cidadãos britânicos residindo na colônia, através da, na época, maior frota naval do mundo, sem que ela se deteriorasse? A cerveja não se conservava bem em viagens oceânicas longas antes do advento da refrigeração, especialmente em climas quentes, que sempre resultavam em cerveja azeda. Surgiu então, pelas mãos de George Hodgson, cervejeiro da Cervejaria Bow, a IPA, uma cerveja que, devido a sua maior quantidade de lúpulo e álcool, conseguia conservar suas propriedades mesmo depois de ser chacoalhada e exposta a inúmeras adversidades no caminho. O lúpulo tem conhecida ação bactericida e o elevado teor alcoólico inibe ação microbiológica. Pronto, problema resolvido! Um brinde aos goddammeds colonizadores. Cheers!
Referências:
MATHIAS, Peter. The Brewing Industry in England 1700-1880. Cambridge: Cambridge University Press, 1959.

JACKSON, Michael. New World Guide to Beer. Philadelphia: Running Press, 1988.
India Pale Ale, Part I: IPA and Empire – Necessity and Enterprise give Birth to a Style, Thom Tomlinson.

Mais publicações sobre cerveja na coluna Bric-a-Brac
*Luiz Gustavo Moura (LG) é produtor de áudio, músico, cervejeiro pseudo-entendido e jornalista fracassado. Saúde!



Sobre os autores

Acompanhe