Sui Generis: meia dúzia de figuras únicas da história do rock

por Homero Nunes
Keith Richards
Inacreditável como Richards chegou aos 71. Rock demais nas veias do sujeito, drogas e sexo, fumante e alcoólatra. 51 anos de Rolling Stones. Casa na Jamaica, na Riviera Francesa, Londres. Os dedos deformados pela guitarra, manchados de tabaco, cheios de anéis. Magro, enrugado, dentes ruins. Bluesman branco, para contrariar a regra. Deve ter vendido a alma na encruzilhada. Sobrevivente. It’s only rock ‘n roll, but I like it.


David Bowie
Cores diferentes nos olhos, cabelos e na música. Um alienígena andrógino. Astronauta perdido no espaço. Personagem de ficção científica, mutante. Décadas de transformações visuais e sonoras, um empirista, experimentador da música. Tocou com quase todo mundo desta listinha, exceto Raul Seixas. Rock, pop, eletro, tudo. Foi abduzido e transformado num tiozinho bonitão, charmoso, derretedor de corações, careta até. No fundo ainda é o Ziggy Stardust.


George Harrison
Foi para a Índia e entrou numas de natureba, ayurvédico, citara. Ácido lisérgico demais, Lucy in the Sky with Diamonds. Levou os Beatles à psicodelia, desencaretou a turma. Deixaram cabelos e barbas crescerem. Contracultura, roupas coloridas e som muito louco, bicho. Harrison foi o boa praça dos Beatles, paz e amor, encantado. Correu por fora na banda, contornando Lennon e McCartney com composições eternas: while my guitar gently weeps.


Freddie Mercury
Gay power. Bigodão, roupas coladinhas, dentes tortos. Voz espetacular. Compositor, pianista, artista. Presença de palco única. Não podia ter banda melhor: Queen. Emplacou a banda como uma das maiores da história do rock, para sempre. Emocionou multidões com baladas de cantar junto, de coro de plateia, isqueiros acesos. Hinos do rock que o povo canta até hoje. Love of my life, can’t you see?


Jim Morrison
Teatral, levou a representação para a música. Intelectual, poeta, artista. Leitor de filosofia, Rimbaud, Baudelaire. Desregrado, não teve limites no comportamento e na música, nem na vida. Transformava seus shows em rituais do rock, celebrações pagãs, ele próprio o xamã. Morreu cedo, aos 27, levado pela maldição de Robert Johnson. Overdose na banheira, em Paris. É o túmulo mais visitado do cemitério Pére Lachaise. This is the end… My only friend, the end.

Raul Seixas

Entre o baião e Elvis, Rauzito inventou o rock brasileiro. Debochado, irreverente, maluco beleza. Sujeito inteligente, compôs músicas e personagens, tipo ideal de roqueiro doidão no Brasil. É, sem exagero, o músico mais pedido do mundo… até no show do Paul McCartney eu vi um sujeito segurando um cartaz escrito: toca Raul! Teve um monte de mulheres, abusou das drogas e ganhou a cirrose do álcool. Copos e cinzeiros estavam sempre no caminho. Também a criatividade, a veia contestadora, o talento que lhe fez uma metamorfose ambulante. Toca Raul!


PS.: e antes que alguém questione, o Frank Zappa é Hors Concours. Nem compete numa listinha destas.

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