Gonzo! Hunter S. Thompson no precipício do jornalismo

por Homero Nunes
“Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência,
 ou insanidade para qualquer um, 
mas isso tudo sempre funcionou comigo.”

Um jornalismo às avessas, que não é informativo nem opinativo, nem objetivo e nada imparcial, o jornalismo “gonzo” iniciado por Hunter S. Thompson é um anti-jornalismo jogado no precipício da reportagem. Em queda livre nas bebedeiras e no abuso de drogas, Hunter Thompson escrevia solto de qualquer linha editorial ou manual de redação. Inserindo-se em suas reportagens, indo além do objeto da matéria, ele desvirtuava a profissão em críticas ferozes contra o sistema e percepções deslocadas do padrão, buscando novos ângulos de visão do mundo.  Foi execrado pelos puristas das grandes redações, mas fez grande sucesso em publicações periféricas, com seu estilo incorreto, irônico e, sem meias palavras, maluco, completamente maluco. Drogado e sem juízo, Thompson publicou vários livros-reportagens nos quais descrevia suas viagens e amargava seu asco em relação ao American Way e a sociedade de consumo, titubeando entre especulações filosóficas, análises sociológicas e delírios ficcionais. Tornou-se uma espécie de anti-herói, cultuado nos guetos do jornalismo, mau exemplo total. Aos 69 anos jogou-se mais uma vez no precipício, suicidando-se com um tiro de espingarda na cabeça.
Hunter S. Thompson, ipsis Litteris:

Se você considerar os grandes jornalistas da história, você não encontrará muitos jornalistas objetivos nesta lista.
Numa sociedade onde todos são culpados, o único crime é ser pego. Num mundo de ladrões, o único pecado definitivo é a estupidez.
A televisão, como negócio, é uma cruel e lamacenta trincheira onde só se pensa em dinheiro, uma avenida de plásticos onde ladrões e cafetões agem livremente, e as pessoas boas morrem como cachorros.
Como é estra­nho e bom ser pago para se diver­tir.
Não há nada como a paranoia, a realidade é sempre muito pior do que se imagina.
O que encontrei durante minha experiência certamente limitada na cobertura política, é que o poder e a honestidade raramente coincidem.
Sempre é importante atuar como louco em primeiro lugar, pois sempre se pode parecer normal depois.
A vida se torna muito melhor quando deixamos de levá-la a sério.
Toda minha vida meu coração buscou algo que eu não posso nomear.
Quem é o homem mais feliz? O que enfrentou a tormenta da vida e a viveu ou o que se manteve firmemente em terra e somente existiu?
Sinto-me como se pudesse muito bem estar aqui talhando as palavras da minha própria lápide… e quando eu acabar, a única saída apropriada será de cima desse terraço direto para dentro da fonte, 28 andares abaixo e pelo menos 180 metros de queda livre sobre a Quinta Avenida.

 Hunter Stockton Thompson 1937 – 2005
O cinema fez adaptações relevantes da obra de Hunter Thompson, com três filmes e dois documentários que compensam muito:
The Rum Diary
Diários de um Jornalista Bêbado, 2011
Dir. Bruce Robinson
Com Johnny Depp no papel de Hunter Thompson
Fear and Loathing in Las Vegas
Medo e Delírio, 1998
Dir. Terry Gillian
Com Johnny Depp como o alterego de Hunter Thompson
e Benício Del Toro como o advogado dele
Where the Buffalo Roam
Uma Espécie em Extinção, 1980
Dir. Art Linson
Com Bill Murray como o alterego de Hunter Thompson
Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson
Gonzo: Um Delírio Americano, 2008
Dir. Alex Gibney
Com Johnny Depp como narrador
Buy the Ticket, Take the Ride: Hunter S. Thompson on Film
Dir. Tom Thurman, 2006
Com depoimentos das pessoas que conviveram com H. S. Thompson



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