Destro ou canhoto: conservadorismo progressista ou progressismo conservador

por Homero Nunes

por Adrilles Jorge


As concepções de esquerda e direita deixaram há muito de fazer sentido, até mesmo pelo embaralhamento histórico da prática política, histórica e social da utilização dos termos. Por direita entende-se um movimento conservador e por esquerda o progressismo. Mas nem conservadorismo e progressismo têm efetivamente uma conotação especificamente boa ou má. Isto nos exemplos grandiloquentes sociais aos comezinhos: cotidianamente, a maior parte das moçoilas liberadas e progressistas sonham com um casamento ou mesmo uma união afetiva estável, o que sugere um casamento, o que é uma instituição eminentemente conservadora. Até mesmo os gays, grupo cooptado pela linha progressista, sonham com a conservadoríssimo casório. Na política econômica, e especialmente nas gestões efetuadas na aldeia tupiniquim, efetua-se para todos os efeitos ajustes pragmáticos de acordo com as convenções: condena-se um modelo privatista, pela linha esquerdista, por lançar mão do patrimônio do estado, que seria utopicamente patrimônio popular, mas o estado inchado e intervencionista é “intervisado” como propriedade de uns poucos que usufruem das benesses que seriam do tal povo, esta abstração objetiva usada como massa de manobra para ambos os lados. 

O progressismo de esquerda da manutenção da máquina estatal é o conservadorismo do poder e das finanças nas mãos de um poucos que intervém sempre em favor próprio. É curioso notar que historicamente quem é de direita é chamado liberal, uma vez que a direita clássica é a favor de todas as liberdades em caráter absoluto em prol dos direitos do indivíduo. Uma destas liberdades apregoadas pela tal “direita conservadora” é a total liberação do uso de drogas, por exemplo, como defende o liberal Milton Friedman, uma bandeira empunhada por uma série de esquerdistas que conservam em seu discurso de ordem uma bandeira tradicional da direita…
Os exemplos pululam de lado a lado em distorções e equívocos do que venha a ser conservadorismo e progressismo. Mas ainda a dita esquerda mantém a bandeira que alimenta os apetites ideológicos de quem se crê ao lado do bem. Não é bem assim. Há ditaduras de direita, como foi o caso da brasileira recentemente, que são execradas – justamente – pelo seu perfil pérfido. E há ditaduras de esquerda – como a cubana, vigente até hoje – incensadas (injustíssimamente) como modelo ideal progressista. Neste último caso, o progresso é das forças conservadores do atraso da autocracia.
Enfim, qualquer pessoa, estado, grupo, nação, etc., tem embutido em sua essência características eventualmente progressistas e conservadoras não sendo nem uma nem outra necessariamente boa ou má. Mas o lobby esquerdista assusta quando tenta tolher, eliminar, execrar qualquer movimento ou ideário que seja diferente de seus pressupostos ditos progressistas. E isto sim é a gênese do preconceito. São, segundo a cartilha progressista do politicamente correto, execráveis aqueles que se insurgem contra a política de cotas. Ora, progressista seria a eliminação do conceito de raça para a fomentação de uma política equânime entre todos os povos. É o conceito de raça que eventualmente traz a gênese do conceito não conservador, mas atrasado do racismo. 

Castrismo à cubana, com farofa de bananas
São execrados pelos progressistas do equívoco os que apoiam qualquer simpatia pela polícia. Talvez queiram estes progressistas que o estado seja gerido pelo “bom selvagem” de Rousseau, este que sequer protegeu seus seis filhos, doando-os a orfanatos. São execrados quaisquer movimentos, ações ou ideias que se rebelem contra a preservação purista de qualquer cultura ou tribo ou raça. Este último exemplo é um dos mais curiosos: é progressista afirmar que a melhoria da humanidade é realizável pela mistura de todas as culturas, de todas as raças. As tais políticas afirmativas, quer seja de ordem sexual, social, racial, visam o objetivo exatamente oposto: o de preservar uma cultura à parte das outras, como é feita, por exemplo cabal, com as tribos indígenas que, não obstante sua frequente ocidentalização, são tratadas como um “estado” à parte, numa tentativa que tenta manter suas raízes intocáveis ao contágio de outras culturas. Isto sim é purismo nefasto. Isto sim é um conceito segregador que impede o progresso de uma cultura: o seu isolamento a reboque do conceito falacioso de sua preservação.
Politicamente então, a coisa vai pelas catacumbas. Para citar só um exemplo recente da história tupinambá, esquerdistas supostos progressistas que foram pegos em flagrante por corrupção seriam mártires populares que teriam roubado em nome do povo e para o povo, ao subornar quase um congresso todo. E o tribunal que os condenou por corrupção seria um tribunal de exceção, por não observar as tais justas subintenções de pureza por detrás das ações corruptas dos corruptos esquerdistas “do bem”.
O que espanta frente a isto tudo e muito mais é a sublevação de alguns virtuais populares da pequena burguesia socializante de esquerda festiva (outra contradição curiosa, não?) de tais conceitos equivocados como se fossem um movimento pelo bem geral de todos. Um movimento que tenta fascistamente calar vozes( e às vezes cala) de quem se coloca contra o equívoco, de quem atua na forma da ironia contra a orquestração da manipulação da ignorância calculada de uns tantos que pegam em bandeiras e não em livros, ideias e interpretações mais complexas da realidade.
por Adrilles Jorge
 Capitalismo: uma história de amor

Referências:

Turminha da direita:
MIlton Freidman, Alexis de Tocqueville, ludwig Von Mises, Friedrich Hayek, François Quesnais, Samuel Taylor Coleridge, Sir Walter Scott, Adam Smith, Chesterton, Vincent de Gournay, TS Eliot, Thomas Malthus, Karl Popper, Edmund Burke , Russel Kirk, Robert Frost etc.
No Brasil: José Guilherme Merquior, Paulo Francis, Olavo de Carvalho, Gustavo Corção, Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Luiz Felipe Pondé, Roberto Campos etc.

Turminha da esquerda:
Pierre-Joseph Proudhon, Saint-Simon, Charles Fourier, Thomas Paine, Karl Marx, Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo, John Maynard Keynes, Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Jurgen habermas, Michel Foucault, Edmund Wilson, Norberto Bobbio, Eric Hobsbawn, etc.
No Brasil: Mangabeira Unger, Emir sader, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marilena Chauí, Chico de Oliveira, Milton Santos etc.



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