Cuspe e giz: meia dúzia de grandes professores do cinema

por Homero Nunes

John Keating
por Robin Williams
Sociedade dos Poetas Mortos
Dead Poets Society, 1989
Oh Captain, my Captain! Dos versos de Walt Whitman às páginas rasgadas dos manuais de literatura, o professor Keating é o queridinho entre todos de todos os filmes de professor. Inspirador, subversivo, sensível, poeta morto daquela sociedade. Ensinou aos alunos o caminho da caverna e o gosto pela leitura, propôs que tentassem novos ângulos de visão do mundo e, sobretudo, que aproveitassem o dia, carpe diem. Incomodou um tanto de gente acomodada. Como Sócrates, sem a cicuta, foi sacrificado por corromper a juventude e duvidar dos mitos.

Guilherme de Basquerville
por Sean Connery
O Nome da Rosa
The Name of the Rose, 1986
Um monge racionalista dentro das trevas medievais, o mestre Guilherme de Basquerville usava a observação, a lógica, a análise, o procedimento e o rigor científicos para desvendar os mistérios do mundo e desmascarar o suposto demônio. Dedos e línguas pretas que levaram à comédia de Aristóteles e à biblioteca escondida, acúmulo de saber no labirinto proibido pela Igreja. Por usar a inteligência e recusar a ignorância dogmática, foi acusado de heresia e escapou por pouco da fogueira dos malditos. Que Deus nos perdoe pelos spoilers deste post.


Dom Gregório

por Fernando Fernán Goméz
A Língua das Mariposas
La Lengua de Las Mariposas, 1999
O velho professor – de cordas vocais calejadas, de olhar cansado, na elegância da idade e do saber acumulado – foi a mudança na vida de um menino medroso do mundo. Eram tempos difíceis aqueles que precederam a Guerra Civil Espanhola, disciplina e violência cercavam os lugares, inclusive a escola. Mas Dom Gregório era um homem de ideias livres, respeito e posição intelectual. Dos alunos, de um deles pelo menos, foi o exemplo da integridade, do caráter que forma o caráter dos outros. Acabou levado por aqueles de duvidoso caráter, sem defesa pelo medo de todo mundo.

Burt Ross / Rainer Wenger
por Bruce Davison e Jügern Vogel
A Onda
The Wave, EUA, 1981
Die Welle, Alemanha, 2008
Um professor em duas versões da mesma história. N’A Onda que explicava a expansão e disseminação do Nazismo através de um experimento didático, alunos mergulhados em distorções ideológicas e relações de poder na escola. O professor fazia assim a história emergir da prática, o aprendizado pela experiência, a reflexão pelas próprias atitudes. Manipulação, persuasão, influência, comportamento. Foi longe demais.

François Marin
François Bégaudeau
Entre os Muros da Escola
Entre les Murs, 2008
Monsieur Marin é o professor de alunos plurais em uma escola na periferia de Paris. Multicultural, multiétnica, multitudo, a turma é uma bomba para o sistema tradicional de educação, aquele que escolhe os melhores alunos e descarta os desencaixados. O professor Marin é o destemido cavaleiro andante que enfrenta os moinhos de espremer gentes a caminho de uma educação inclusiva, também plural, humana acima das diferenças, sem reduzir a diferença ao padrão. A educação apesar de tudo, a educação acima de tudo.

Curiosidade: o professor do filme é interpretado pelo próprio professor François Bégaudeau, autor do livro que deu origem ao filme.

Daniel Lefebvre

por Philippe Torreton
Quando Tudo Começa
Ça Commence Aujourd’hui, 1999
Não basta a sala de aula, é preciso ampliar a sala de aula. O professor Daniel Lefebvre ensina crianças, mas é um sujeito preocupado com o entorno, com a comunidade, com o ambiente, com tudo aquilo que faz a educação possível e com tudo aquilo que a educação pode tornar possível. Em meio aos problemas econômicos, sociais, políticos, burocráticos etc. que embarreiram a vida dos alunos e das famílias deles, um sujeito que acredita no papel da educação para transformar a realidade, para mudar o mundo. Um professor lutador, como tantos.


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