Os suspenses opostos de Alfred Hitchcock: do Festim Diabólico à Psicose

por Homero Nunes
“Dê a eles prazer,
o mesmo prazer que eles tem 
quando acordam de um pesadelo”
Alfred Hitchcok 1889-1980

 

A cena do chuveiro em Psicose ficou famosa pela sucessão de cortes rápidos e pela montagem com 70 tomadas, em posições de câmera diferentes. Uma cena de 45 segundos estilhaçada em cortes múltiplos e cenas sobrepostas. No oposto de Psicose, Hitchcock filmou 13 anos antes seu Festim Diabólico, com apenas 8 cortes em planos sequência que mais parecem um único plano. É difícil perceber os cortes, pois a ideia era fazer o filme em tempo real, com todas as cenas superpostas em sucessão contínua. Se em Psicose Hitchcock faz suspense sobre o assassino, revelado no final, em Festim Diabólico ele revela os assassinos logo no início, criando o suspense justamente por sabermos de tudo, do corpo escondido no meio do próprio Festim. Lançado em 1948, Festim Diabólico foi o primeiro filme a cores de Hitchcock, que escolheu filmar Psicose em 1961 em preto e branco, de modo a criar uma atmosfera mais sombria e não avermelhar o cinema com tanto sangue. Filmes opostos em concepção, amarrados pela genialidade de Alfred Hitchcock, que daria a Psicose a sensação claustrofóbica da montagem e ao Festim Diabólico a ansiedade perturbadora da composição. Psicose fragmentado como a mente do assassino em personalidades divergentes; Festim Diabólico contínuo como a reflexão filosófica aguçada pelo conceito de super-homem de Nietzsche. 
 
Festim Diabólico
Rope, 1948
 
Psicose
Psycho, 1961
 
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