Bem-vindo, bienvenido, welcome, bienvenu!

por Homero Nunes

por Wilson Zaidan

Bem-vindo” (Welcome) conta a história da tentativa do garoto Bilal Kayani  (Firat Ayverdi) – Iraquiano, curdo de Mosul – de embarcar ilegalmente para o Reino Unido. Muito além da procura por novas oportunidades, o garoto é também movido por um dos maiores combustíveis da alma: a paixão. Quer antes de tudo, encontrar sua namorada Mina (Derya Ayverdi) que está em Londres.

Em 2008, fugindo do ataque Turco que perseguiam as milícias do Curdistão Iraquiano – diga-se de passagem, guerra que deixou mais de 37 mil mortos – Bilal Kayani carrega consigo alguns traumas que agravam seus problemas na tentativa de entrar no Reino Unido, através de intermediadores clandestinos.
Refugiado em Callais – cidade portuária ao norte da França – Bilal se dá conta de que seus traumas o impediriam de seguir com os intermediadores clandestinos e de que sua jornada parecia chegar ao fim. Inconformado, o protagonista percebe que apenas um último obstáculo o separa de sua amada: O Canal da Mancha – o braço marítimo mais furioso do mundo que separa o sul da Inglaterra com o norte da França.


Decididamente, com o pouco de dinheiro que lhe resta, Bilal se matricula nas aulas de natação, onde conhece o ex-campeão de natação Simon (Vincent Lindon), seu professor. Cria-se uma amizade e os segredos do aluno são compartilhados, fazendo com que Simon se coloque em risco tanto por admirar a cega dedicação de Bilal para encontrar sua namorada quanto pela vontade de impressionar sua ex-mulher.

O filme “Bem-vindo”, de título obviamente irônico, nos provoca a pensar sobre os grandes desafios sociais e geográficos que o mundo nos impõe. O homem faz parte da natureza e depende dela ao criar o seu espaço; espaço que se transforma em si e por si, que naturalmente, transforma o homem em um novo homem, criando este ciclo vicioso que instiga, estimula e excita nossa visão deste mundo em que vivemos.

Welcome
Philippe Lioret, 2009 

Coluna: Cinema



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