Théodore Géricault, 1819: “Le Radeau de la Méduse”

por Homero Nunes
Um naufrágio em 1816 deixou para trás uma jangada cheia de famintos e o processo de degradação humana. Para a sobrevivência, prevaleceu a lei do mais forte e o canibalismo. Géricault pintou este quadro para não deixar a história cair no esquecimento. Frequentou necrotérios para sentir o cheiro da morte e usou uma paleta de cores que considerou mórbida e solene.


A cena escolhida foi o momento do resgate: após 13 dias à deriva, avista-se um barco, mas como a jangada estava à flor da água, era difícil de ser avistada; os sobreviventes, então, sobem uns sobre os outros e sobre os barris de vinho à bordo, balançando trapos e roupas de modo a serem vistos. O Navio do resgate está fora do enquadramento, assim como a imensidão do horizonte. Na cena prevalece a esperança sob a luz crepuscular. A falta de esperança aparece no primeiro plano, à esquerda, em um homem perdido nos seus pensamentos e indiferente, em meio aos corpos espalhados. O quadro está no Museu du Louvre, imenso, deixando embasbacados os espectadores diante de uma tela de quase cinco metros de altura (4,91m) por sete metros de largura (7,16m). A arte como documentário.



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