O Exame da Bruxa

por Homero Nunes
Examination of a Witch
Thompkins H. Matteson
1853
 
 
Há tempos atrás, bastava uma mulher pensar para ser considerada uma bruxa. Qualquer demonstração de inteligência, questionamento das convenções ou comportamento desviante podia ser interpretado como feitiçaria ou, pior, como a presença de forças malignas, a marca do Diabo. Na tela “O Exame de uma Bruxa”, Thompkins H. Matteson pintou o momento que uma jovem pensante foi trazida aos olhos da comunidade, acusada de bruxaria. Ela é despida na frente de todos, exposta e envergonhada, para o exame que buscava nela o sinal das bruxas, alguma marca que indicava sua iniciação em algum ritual de magia negra, a marca do Diabo. Entre acusadores e perplexos espectadores, a inocência da moça é questionada diante do medo do desconhecido, de crenças obtusas, superstições. Pelo olhar dos outros, o inferno, a intimidade de uma bruxa que todos conheciam naquela pequena vila, alguns nem querem acreditar. Ela não escapará, não há como fugir da ignorância coletiva, nem usando seus supostos poderes malignos, aquele poder de ser uma mulher que pensa. Bruxa!
 

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